UMA SEMANA DE FÉRIAS

Amanhã cedo, domingo dia 14, estarei saindo de casa para uma grande aventura. Talvez seja a maior de minha vida, até esse momento. Vou conhecer a Turquia, passar 7 dias entre Estambul e Capadócia, apenas eu e Rafael. Tenho clareza que, depois dessa viagem, enfrentarei e matarei qualquer leão que apareça diante de mim.

Para quem me conhece entenderá o que vou dizer: estou com muito medo, mas tenho que ver para crer. Eu sempre quero ver e saber, mesmo que isso signifique me agredir ou não respeitar minha fragilidade. Talvez seja coragem, o nome que se possa dar a essa insanidade. Eu tenho pensado sobre esse tipo de atitude, se não é desrespeitar demais a mim mesma.

Essa viagem foi comprada por um impulso pela internet. Vi a promoção com 6 vagas disponíveis, onde se pagaria a metade do preço do pacote de uma viagem normal. Ou seja, vamos dois e estarei pagando por um. Era muito bom!!! Fiquei muito tentada a comprar, mas me sentia insegura de fazê-la sozinha com Rafael. No instante seguinte, enquanto pensava, a internet me mostrou que não existiam mais as seis vagas, só restavam três. Eu não tinha mais tempo para articular alguém para ir conosco e comprei. Ao concretizar a comprar, meu coração batia acelerado. Até compartilhei isso com Aleuda, que estava on line e trabalhando em Natal. Ela me deu a maior força.

Agora chegou a hora e meu coração voltou a bater muito forte, mas vamos em frente que atrás vem gente! Pode ser, também, que eu aprenda a não sentir mais medo e que tudo se transforme somente em prazer. Ao final, uma grande maioria desses meus impulsos sempre me dão muito prazer, saio recompensada. Em geral fico orgulhosa por ter dado conta da dificuldade e de enfrentá-la e, com certeza, sempre saio maior e mais gente.

Então, até daqui a uma semana. Beijos!



Escrito por Giovana Paiva às 13h21
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PARIS, A CIDADE ENCANTADA

Que encanto! Nunca tinha imaginado que tinha um desejo tão forte por conhecê-la. Foi surpreendente conhecê-la no inverno, em fevereiro passado, cinzenta e muito fria. Vez por outra sendo surpreendida por uma camada de fininha, que deixava os nossos negros casacos esbranquiçados, mas que desaparecia ao tocar no chão.

 

Minha primeira visão de Paris, na saída da Estação de Metrô de Saint Michel.

Fomos ao que de mais tradicional um turista pode fazer em Paris, e nem poderia deixar de ser diferente: Ópera, Comedia Francesa, Champs Elysee, Arco do Triunfo, Champs de Mars, Montparnasse, Museu D'Orsay (a exposição dos Impressionistas), Louvre (a antiguidade, os pintores franceses, a Monalisa, a Vênus de Milo, a Múmia, os Sarcófagos), Notre Dame (entrar na hora da missa para não pagar), Pompidou (suas escadas rolantes), Montmartre (os pintores na praça e sua história ligada ao comunismo) e Torre Eiffell (subir até o topo). Alguns merecem um destaque especial, mas agora me referirei apenas ao Louvre.

  

A maior emoção que senti nessa passada por Paris, foi a visita ao Louvre. O primeiro sentimento foi de revolta. Como os franceses saquearam o mundo!!! Tive a impressão que tudo o que existe de mais importante de todas as épocas e lugares, está no Louvre. Por outro lado, eles conseguiram preservar muito bem e muita coisa. E isso deve ser valorizado. Devem ter investido muito para conseguir o que conseguiram.

O outro sentimento foi de atordoamento. Bastava olhar para o teto para ficar impressionada.

   

Eu não acreditava que estava naquele lugar vendo aquelas figuras que a gente ver em livros desde pequena. Chorei em diversos momentos. Estar diante da Monalisa e daquela cara tão conhecida foi uma sensação indescritível. Na sala onde está a Monalisa, a segurança é muito ostensiva. Não existe possibilidade de fotografá-la, tem segurança em todos os recantos. Está exposta em uma parede que é protegida com vidro blindado e existe uma corrente que não nos permite chegar muito perto do vidro.

E a Múmia? Eu vi uma múmia, um homem ou uma mulher ali, deitada diante de mim, que tinha nascido há mais de 2 ou 3 mil anos. Fiquei tão emocionada que não conseguia fotografar legal. Fiz várias fotos, mas somente duas ficaram boas.

         

Os sarcófagos, as esfinges, as cerâmicas, as pinturas, as esculturas .... Era muita coisa para uma matuta só.

  



Escrito por Giovana Paiva às 12h47
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Além da emoção, teve o aperreio. O Louvre é muito grande e Rafael começou a ficar cansado e eu não tinha visto quase nada. Comecei a me desesperar porque não conseguia convence-lo a seguir adiante. A solução era andar mais rápido e deixar que minhas companheiras, Amadja e Fátima, ficassem para trás, olhando com calma. Foi muita angústia, muito truque e nada, não conseguia fazer ele descansar para continuar a caminhada. Sentávamos nos batentes de escada, dava água e biscoito para ele, mas não tinha jeito. Me perdia propositadamente dentro do Museu tentando achar a saída, para ganhar tempo e para ver o que gostaria de ter visto com calma. Tudo foi passando rapidamente.

Foi assim que vi a Vênus de Milo.

Enfim, desisti depois de muitas tentativas. Mas, me sentia feliz por ter estado ali e pelo meu companheirinho de caminhada. Ele também se interessou por muitas coisas, parava e ficava olhando. Procurei ver o lado positivo daquela visita, o quão significativo tinha sido para mim estar ali e, imagino ou quero crer, para ele também. Tentava explicar as coisas para ele, mas ainda não tem a compreensão e o significado do tempo.

  

Além disso, era humanamente impossível para Rafael, uma criança de 6 anos, andar como eu queria. O Louvre é muito, mas muito grande.

Mostrei algumas fotos, mas ainda ficarão de fora muitas outras.

É, por isso, que eu fico repensando a minha vida e as escolhas que todos fazemos durante a existência. Não é porque aqui seja a maravilha das maravilhas, mas é porque aqui a gente se depara com uma outra dimensão de nós mesmos, seres humanos. Aqui está a nossa história, quando o Brasil nem existia. Eu não sei muito bem explicar, mas tenho sempre a sensação de que estar me deparando com a consciência do quanto somos insignificantes diante do tempo que a humanidade já viveu, do quanto somos insignificantes diante de tudo o que a humanidade já fez e pode fazer.

Eu quero voltar outras vezes para ver e viver Paris...



Escrito por Giovana Paiva às 12h47
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MACAU SUMIU DO LE MONDE

Aqui em Barcelona, eu sempre consulto o serviço de metereologia do LE MONDE (frança) porque eles apresentam os detalhes do clima para 7 dias à frente. Então, fico sabendo se vai esfriar ou não nos próximos dias, e me preparo psicologico e espiritualmente.

Quando vou olhar o clima da cidade de Barcelona, que é o que me interessa, aproveito e dou uma olhadinha no clima de Natal (acho que para sentir inveja). Mas, toda vez, fico revoltada porque não tem MACAU no Le Monde. Para saber alguma coisa de Macau, olho o clima de Pendências. Pode? Isso é um desaforo! Já pensei até em escrever para eles e reclamar. Ou pedir providências ao nosso Imperador.

http://www.lemonde.fr/web/meteo/0,31-0,42-4976,0.html



Escrito por Giovana Paiva às 09h26
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DISCIPLINAS E AS ATIVIDADES ESCOLARES

Rafael está estudando a 1ª série B. Suas disciplinas são: matemáticas, casteliano, catalão, inglês, conhecimento do meio natural e social, informática, educação artística (plástica e música) e educação física.

   

É incrível como eles exploram as matemáticas e eles a chamam no plural. Eles têm aula dessa disciplina todos os dias.

Ao chegar a Espanha em outubro passado e matriculá-lo na escola, foi solicitado que eu comprasse 1 livro texto de matemática e 4 livros de exercícios. Agora, mais recente, como o desempenho dele está muito bom, pois está conseguindo acompanhar a turma de espanhóis com pouca dificuldade, a professora solicitou que eu comprasse um livro de leitura e interpretação de texto em catalão e uma série de cadernos de caligrafia, pois a letra está muito feia.

Vejam o orgulho da mãe: está sendo o único estrangeiro que consegue acompanhar as atividades acadêmicas da turma de espanhóis. Já está lendo e escrevendo em catalão, castiliano e português. Inclusive, no casteliano, vez por outra, corrige a minha pronuncia. 

A escola tem uma sala para atividades esportivas e danças com um piano, com espelho e barras para exercício, atelliers para atividades de educação artística, um laboratório, uma sala de informática, um restaurante, um jardim (que está sendo reformado) e uma quadra poliesportiva.

As refeições são pagas pelos pais. Acho que eles não lidam com a possibilidade de que as pessoas não possam pagar porque não existe dentro do padrão econômico da cidade. E é cara, se compararmos com os preços de restaurantes. Em um restaurante simples da cidade, podemos almoçar por 7 euros (no mínimo). Na escola, eu pago 5,20 euros por almoço.

Existe a AMPA (Associación de Pares e Mares d’Alumnes), que foi criada pelos pais para atender suas necessidades fora do horário escolar e para desenvolver as atividades junto aos seus filhos que, suponho, não têm tempo para se dedicar. A AMPA está disponível dentro da escola de manhã cedo, a partir das 7 e até às 9 horas, assim como depois das 16:30 até às 18:30 horas. Lá existem monitores, professores, contratados pela AMPA, e atua como "guarderia". As atividades esportivas e a ocupação do tempo das crianças, auxiliando-os com as tarefas e reforço nos estudos e nas diversas atividades esportivas. A AMPA oferece escola de inglês, atividades psicomotoras, futebol, basquete, patinação, pintura e outras .

Quando cheguei a Barcelona fiquei um pouco desorientada com os gastos que estava tendo e me senti receosa de inscrever-me na AMPA, para que Rafael pudesse praticar algum esporte. Isso significaria, no mínimo, mais uns 50 euros por mês, que somados à despesa do restaurante, poderia ficar muito pesado para o meu orçamento. Quando, passado algum tempo, avaliei que valeria a pena fazer sacrificio e  pagar, infelizmente não havia mais vagas disponíveis em nenhum dos esportes.

Por fim, gostaria de informar ainda que a escola em que Rafael está matriculado é uma escola de aplicação da Universidad de Barcelona. Então, os alunos de graduação fazem seus estágios na escola, supervisionados pelo corpo de professores da escola e da Universidade. O que acho muito interessante.

Quem tiver interesse de pegar mais informações sobre a escola poderá consultar o site http://www.xtec.es/ceippractiques2/



Escrito por Giovana Paiva às 09h17
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UM CONTO DE UMA VIDA "MARROMENO"

Uma vida ainda "marromeno"?... Marrom é uma cor parda, triste.

Quem já não teve uma vida "marromeno" e não acreditou que tinham enterrado uma cabeça de um jumento no caminho, porque sempre achava que vivia com problemas além dos normais? Nada de novo acontecia.

Pare com isso! E queria parar, mas...

Precisa, sim, enterrar coisas passadas de uma vez. Precisa construir um desfecho para essa etapa, pois tudo merece um desfecho. Ou não acha, sinceramente, que merece muito mais do que está tendo? Não precisa ficar presa a algo que já admite findo.

Não tem mais nada a ver! O problema é conseguir desatar o nó das conseqüências e do sentimento de ter deixado que acontecesse sucessivas vezes e por tanto tempo. Esse desfecho lhe alçará à fileira das "mulheres inteligentes e de escolhas sensatas”.   

Tantas marcas e cicatrizes...  Mas, esqueça todos esses “SE’s”. Eles já não existem mais. Enterre-os! E pare! É uma ordem... A juventude, a inteligência e a informação foram feitas para serem vividas!

É preciso ir à luta! É preciso viver!

Mas, para isso, é preciso ter ânimo, coragem e força de vontade. E não as têm? Mesmo depois de tudo? Agora, apesar da dor, já se sente mais forte para superá-la, com mais facilidade, e deixar o tempo passar para maturar, não é? Então, deixe o resto fluir.

Não é possível que o incômodo que essa situação provoca não venha trazer mudanças!

Toda crise envolve crescimento quando bem aproveitada e o investimento tem sido muito grande. Não é preciso esperar a perfeição, apenas tranquilidade para que as coisas possam chegar a um lugar onde, necessariamente, encontre duas alternativas: ou empacar para sempre ou ultrapassar a barreira.

Calma! Apesar de tudo, calma! O percurso está longo e complicado, mas está dando tranquilidade. Não está vendo? É preciso apostar nesse tempo de maturação. É necessário viver esse "luto" e ressurgir poderosa e rezar para nunca mais ser "marrom" por muito tempo.

Pois o tempo passa e pensar nisso pode impacientar e angustiar.



Escrito por Giovana Paiva às 15h22
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A ESCOLA DE RAFAEL

Acho fantástico constatar que o meu filho está tendo a oportunidade de estudar numa escola pública municipal de qualidade. Às vezes, eu fico querendo imaginar o que pode ser uma escola pública na França ou na Inglaterra, por exemplo. Essa comparação, a meu ver é importante porque a Espanha é tido como um dos paises mais atrasados nos avanços econômicos e conquistas sociais entre os países da Comunidade Européia!!! ... Mesmo assim, essa qualidade é visívelmente superior à nossa escola pública brasileira.

Vou me referir apenas à percepção que construí a partir de uma observação muito superficial.

     

Primeiro, observo que professor é professor e não “tomador de conta” de criança. Ele chega para dar aula e, quando termina, vai embora ou fica fazendo atividades extra-escolares na própria escola, mas não fica sentado em bancos, embaixo de sombra de árvore, olhando os alunos a brincarem no parque de diversão.

       Professora Dori Jovani

O ritual de chegar e sair na escola é sempre o mesmo. Quando os portões são abertos, as crianças entram na quadra central, ou pátio descoberto, e se dirigem a um lugar determinado para cada turma. Fazem uma fila um pouco bagunçada, mas ficam lá, brincando ou conversando. Alguns minutos depois, saem de uma só vez, todos os professores de todas as turmas, de dentro da escola, e se dirigem ao local onde se encontram seus alunos. Nesse momento, todos ficam atentos e se postam numa fila organizada e vão saindo, uma após outra, todas as turmas para suas devidas salas de aula.

   



Escrito por Giovana Paiva às 15h15
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Fica evidente o tratamento que se dá a escola como o lugar de estudo. As atividades lúdicas e recreativas estão inseridas nas atividades curriculares e não como passa-tempo para as crianças esperarem o início da aula ou, ao término, seus pais virem buscá-los.

O horário para deixar e buscar os filhos na escola é determinado e inflexível. Logicamente, que existe uma margem de tolerância para mais e para menos, desde que sejam eventuais e justificáveis. Temos que estar diante do portão de entrada até as 9 horas, início das atividades na escola, e às 16:30 horas para pega-los e leva-los para casa. Os pais já são acostumados a esses horários e agem com naturalidade. Em compensação, a escola não guarda as crianças enquanto seus pais estão ocupados.

  

Na saída, da mesma maneira, eles aparecem nesse pátio em fila, com a professora à frente e, à medida que localizam seus pais, na parte externa da escola, ela vai liberando para que saiam da fila. O controle, na saída é rigoroso. A professora de Rafael quer que cada aluno aponte onde se encontra seu responsável e, depois que ela o vê, deixa o aluno sair da fila.

 

Não existe a obrigatoriedade do uso da farda. Aliás, a farda é opcional e quem a vende é a AMPA (Associación de Pares e Mares d’Alumnes). Em geral, todos vão vestidos com suas próprias roupas e, dentro da escola, usam por cima desta, uma bata (que nós compramos e duas vezes na semana, recebemos para lavar). Em geral, as roupas chegam limpas, mas as batas estão sempre muito sujas.

No site da escola (http://www.xtec.es/ceippractiques2/) poderão observar, se tiverem interesse, a proposta pedagógica e atividades de festas e celebrações que desenvolvem.



Escrito por Giovana Paiva às 15h14
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SENTIR SEM CULPA

Até há bem pouco tempo, eu pensava que era uma pessoa "simpleszinha".

E pensava também que era boa, que não tinha maldades e coisas desse tipo.

A gente, que tem formação cristã, sempre acha que não existem características pessoais e sentimentos negativos. Por exemplo, ser sacaneado por alguém e, depois, ficar buscando uma justificativa bondosa para entender a razão daquela ação.

Aprendemos, desde muito cedo, a perdoar e a dar a outra face, a ser bons e compreensivos, a amar o próximo como a si mesmo.

Definitivamente, eu não acredito mais nisso... E nem quero...

Descobri nas minhas leituras que já se descobriu cientificamente que o ser humano é mal por natureza e, portanto, não existe a menor possibilidade de atender corretamente aos mandamentos divinos. O inconsciente sempre deixar escapar algo.

Descobri isso também com a vida. E nesse sentido, logicamente, eu não escapo à regra. Sempre que é necessário, percebo que caio em tentação e peco. Mas, nos últimos tempos, não sinto mais qualquer constrangimento de pecar. A análise me libertou dessas amarras e tem me permitido sentir o que eu quiser, sem culpas.

É importante destacar que eu me sinto autorizada a sentir e viver o sentimento, mas não a praticá-lo. O sujeito pode até praticar, mas terá que assumir as conseqüências dos seus atos. Por isso, sinto-me livre para sentir ódio, raiva, inveja, ciúme, cobiça e seja lá o que for. Tenho exercitado plenamente o meu direito de sentir. Só importa a minha satisfação. Com isso, ficou tudo muito mais fácil... e até mais simples. É só pensar e, pronto, realizo meus desejos.

É óóóóóótimo!!!

Com toda essa liberdade, por outro lado, tenho aprimorado muito mais o controle sobre a minha natureza. A “civilidade” exige comedimento, assim como a minha ética. É necessário estabelecer limites, senão viveria na barbárie, amargurada e agressivamente. Não posso revidar uma maldade ou fazer algo que provoque sofrimento a outra pessoa apenas porque eu quero. É necessário manter a suavidade, a delicadeza e o prazer de viver. E, principalmente, viver em paz.

Dentro desse raciocínio, fico pensando na perspectiva psicanalítica novamente, pois esta afirma que uma das maneiras de alcançar uma vida melhor, está no fato do sujeito compreender e racionalizar que é necessário desligar todos os sentimentos (o ódio, por exemplo) do objeto (ou da pessoa) externo a você. Em geral, as pessoas passam a vida inteira pensando e procurando responsabilizar aos outros por coisas que lhes aconteceram, ou mesmo imputando culpas a pessoas ou coisas que fizeram isso ou provocaram aquilo, e (o que é mais grave) acreditando que, por essa razão, a vida se tornou a que tem diante de si.

Se alguém se comporta de maneira a provocar sofrimento à outra pessoa, este alguém não pode ser responsabilizado pela perpetuação de um estado geral de coisas que acontece à vida desse outro. Mas, se você sente e o problema é seu, você também pode, quando quiser, parar de sentir e resolver o seu problema.

Essa é uma das perspectivas para se alcançar uma vida melhor.

Pelo menos, eu já tenho a compreensão...

Escrito por Giovana Paiva às 05h01
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O CASTELO DE LEONARDO DA VINCE

Morada de Leonardo da Vince em Amboise, França.

 

O Chateau de Clos-Lucê, palácio onde viveu Leonardo da Vince nos últimos três anos de sua vida, pintando e trabalhando, até 2 de maio de 1519, quando morreu. Foi feita uma grande reforma para encontrar de novo as paredes, vigas, chaminés, pinturas e o espírito da edificação na época do Renascimento. Lá encontramos uma atmosfera que revelava o que pode ter sido o dia-a-dia de Leonardo da Vince, a sala, o quarto e seu local de trabalho.

   

E os desenhos do homem que tanto sonhou no futuro que antecipou em cada invento, seus rabiscos e anotações. O museu dá ênfase ao Leonardo da Vince engenheiro através de uma surpreendente coleção de quarenta máquinas que tem séculos de existência.

  

  

O museu está disponível à visitação com a documentação e as miniaturas que foram construídas baseadas nos desenhos. No jardim, na parte externa do Castelo, construíram em tamanho real os principais inventos de Leonardo da Vince. Grande parte de seus projetos foram desenvolvidos tecnologicamente e incorporados às nossas vidas, como a bicicleta, o helicóptero, a bomba d’água, o canhão, o submarino, as pontes sobre rios, o para-quedas, o canhão e outros inventos.

   



Escrito por Giovana Paiva às 14h09
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A CIDADE DOS CACHORROS – Parte II

Em Barcelona é um tal de ver dono de cachorro tirando sacos plásticos das bolsas para apanhar cocô no chão. Impressiona a incidência dessa cena diante de nossos olhos diariamente.

Depois, eles vão até a lixeira mais próxima e jogam lá dentro (é bom ressaltar que eles fecham bem fechadinho os sacos antes de jogar), ou mesmo parando para que seus cachorros façam xixi no lugar que escolherem. Não importa onde seja ou estejam, eles fazem xixi e cocô onde bem entendem.

Às vezes, eu tenho a impressão de que cachorro, por aqui, pode mais do que gente. Desde janeiro próximo passado, foi editada uma lei (que eu não se é para toda a Espanha, mas está valendo em Barcelona) que regulamentou uma porção de posturas e instituiu multas para quem as infringisse. Por exemplo, em lugares públicos, as pessoas não podem beber, fazer xixi, dormir, cuspir e outras coisitas. Para tudo tem uma multa. Eu me inteirei bem direitinho do valor da multa para xixi, e era 250 euros, porque, às vezes, tenho que parar (igual aos donos de cachorros) para que Rafael faça xixi, numa árvore ou atrás de algum obstáculo, porque ele está na fase de prender o xixi para ficar mais gostoso fazer xixi, sabe como é? Só vai para o banheiro no último segundo. Agora, depois de fazer tanto terrorismo (“vá logo!” ou “Rápido, que eu não quero gastar todo o meu dinheiro com essa multa!”), o prazer de fazer xixi na rua parece que está acabando. Nunca mais ele precisou fazer.

O mais incrível é que a cidade não fede, nem a xixi e muito menos a cocô. Eu só penso que deve ser por causa do tipo de alimentação desses animais!!! Não sei!!! (???). Essa é uma dúvida que carregarei para sempre. Mas, que é estranho é!!!

Além disso, a Prefeitura lava periodicamente as calçadas. Eles vêm com um caminhão pipa, à noite, que joga o jato d’água com força sobre todas as calçadas. Como é muito tarde, não deu para chegar perto, pois moro no 5º andar, mas suspeito que misturam perfume, ou algum produto, nessa água para contrapor ao odor dos xixis e cocôs.

  

 

Sempre ando atenta e desviando de objetos indesejados para não pisar e sujar os meus sapatos, porque, mesmo observando que os donos apanham o cocô, ainda tem cocô de cachorro espalhado pelas calçadas. Não é muito, mas é o suficiente para Rafael observar que “parece que aqui é a cidade dos cocôres de cachorros”. A gente vê, diariamente rastro nas calçadas, tanto de xixi como de cocô de cachorro. As faxineiras da área comum dos edifícios limpam a calçada, as paredes, jogam um pó branco, depois passam um vassourão com água para limpar e não conseguem retirar totalmente a sujeira. Fica sempre a marca nas paredes. Os cantos das paredes da cidade são quase todos marcados, escuros e manchados. É porque são muitos “filhos-cachorros catalões”...

Não sai fotografando cocô de cachorro porque achei muito chato fazer isso.



Escrito por Giovana Paiva às 13h57
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UM POUCO MAIS DE HISTÓRIA DE BARCELONA

No século XVII, Barcelona iniciou uma fase de um novo crescimento econômico. Findo o período de guerras e conflitos, começaram a surgir fábricas e desenvolver o comércio. Era uma cidade ainda amuralhada e militarizada, onde as reformas no centro histórico haviam urbanizado o Raval e a Rambla e embelezado as principais ruas com fachadas e edifícios de estilo neoclássico. Uma cidade que abandonava as antigas formas de vida camponesa e se dispunha a ser uma cidade moderna e um centro industrial. Era o início do capitalismo.

A partir dos anos 1800, Barcelona participou de várias convulsões sociais e políticas, viveu crises, transformações políticas e sociais e começou a se desenvolver e a sofrer mudanças radicais. Podemos considerar que o símbolo mais evidente desse desenvolvimento foi a derrubada das muralhas, que foi autorizada em 1854. Com isso, a cidade alargou seus limites e desencadeou o seu crescimento e em 1859 foi aprovado a plan del Eixample de Ildefons Cerdá. O próximo passo para sua inserção no mundo capitalista foi a realização da Exposición Universal de 1888, que definitivamente a equiparou às principais cidades desenvolvidas da Europa, o que provocou uma nova onda imigratória, dessa vez dentro da própria Espanha.

O PLANO DE ILDEFONS CERDÁ serviu, entre outras coisas, para ligar os pequenos núcleos urbanos que já existiam. Na foto 1 vê-se o EIXAMPLE ao centro, o BAIRRO GÓTICO abaixo à direita e o bairro de GRACIA (ôps!) acima à esquerda  

Na foto 2, está destacada A QUADRA DO PLANO CERDÁ.

Barcelona foi se convertendo em uma capital de vanguarda cultural, onde se experimentavam os novos avanços científicos e técnicos em todos os âmbitos da vida cotidiana. Uma nova geração de industriais e políticos colocava em marcha ambiciosos planos urbanísticos e industriais para converter a cidade em uma metrópole moderna.

   

As grandes perspectivas do Plano Cerdá e a amplitude das ruas de Barcelona, quase todas com edifícios entre 6 e 10 andares e, nós, passantes não nos sentimos sufocados pela altura que nos rodeia.

Mais adiante, nesse Blog, pretendo me deter nas inúmeras RAMBLAS e nos amplos PASILLOS.



Escrito por Giovana Paiva às 17h55
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Um dia, há alguns anos atrás, quando ainda tinha muita fé, recebi um email da minha querida Kinha Costa, que estava na Holanda ou África do Sul (agora não lembro mais). Nesse, ela me falava do tempo, me aconselhava a ficar atenta, que não deixasse o bonde passar e essas coisas que as pessoas que gostam da gente sempre faz. Mas, entre tantas palavras, ela me mandou um poema da Elisa Lucinda que fala de morrer para nascer forte. E ele é muito bonito e o guardei com muito carinho.

NO ELEVADOR DO FILHO DE DEUS 
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou
eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção 
de acordar viva todo dia
Há dores que eu sinceramente não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo do doer daquele corte
do haver sangrento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas
Há porradas que não têm saída
há um monte de '' não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o tema existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação.
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressuscitada
passaporte sem mala
com destino de nada!
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheia de sorriso culpado dos inimigos invejosos
que eu já tô ficando especialista em renascimento
Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesmo me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo.
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha.
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!
Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda.
uma espécie de encomenda que a gente faz
para ter depois um produto com maior resistência 
onde a gente se encolhe para nascer de novo
onde a gente se recolhe ( e quem não assume nega )
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra amigos que fazem a velha e merecida 
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava?
tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.



Escrito por Giovana Paiva às 18h50
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NÓS VIMOS A NEVE

Confesso que o frio do inverno europeu, na maior parte do tempo, não me fez bem. Senti-me “desenergizada” e meio imobilizada em vários sentidos. Além disso, imagine você passar meses sem se ver como você é? Sempre vestindo roupas e mais roupas, roupas sobre roupas. E, no meu caso, só vestindo roupas dos outros!!! A bagagem de frio que eu trouxe para Barcelona era toda emprestada. Tinha dias, que quase tinha alucinações ao me olhar no espelho. Em geral, via Marlúcia (minha tia), pois a maior parte da minha roupa de frio era dela.

Agora tem uma coisa que eu fiz no frio que foi muito bom: conhecer a NEVE (e o fiz graças aos estímulos de Benise Barros em um encontro na Ilha da Casqueira). Seria inimaginável vir à Europa, estar tão perto dela e não vê-la. Mas, só fiz isso em março, no final do inverno. Foi um passeio de domingo e fomos à estação de esqui de Vall de Nuria, no norte da Catalunha e próximo aos Pirineus. A ida durou 3 horas, saímos às 6 da manhã de casa e voltamos à noite, por volta das 9 horas. De manhã cedo, ainda escuro, chegamos à Estação da Praça da Catalunha e pegamos um trem às 7 horas. Mais adiante, descemos numa cidade pequena e pegamos uma cremalheira para subir a montanha. Cremalheira é um trem apropriado para subir terrenos íngrimes e anda sobre três trilhos. O trilho central é dentado e nele engrenam as rodas motrizes, também dentadas, da locomotiva. Isso é o que garante que ao trem subir um terreno muito íngrime sem escorregar nos trilhos lisos.

                           

 As primeiras imagens da neve que tivemos foi do topo da montanha. Branca, coberta de neve. Depois fomos subindo mais e começamos a ver, ao lado da cremalheira, os primeiros sinais da neve. Quando chegamos ao topo, a imagem foi deslumbrante. 

          

O hotel da Estação de Vall de Nuria e um riacho congelado.

                 

 

Fomos acompanhados de Ítalo/Shirley e Paulo/Ana Cláudia, dois casais, amigos e queridos, de Natal que estavam de férias, passando por Barcelona. Lá chegando, os quatro inventaram de esquiar. Alugaram o equipamento e fizeram várias tentativas. Quase um vexame!!! A campeã do esqui foi Ana Claúdia (excelente esquiadora e deveria ter arriscado descer de uma parte mais alta da montanha). Paulo parecia que estava embaixo de 40 graus de calor, suado pelo esforço que fazia para tentar esquiar. O neguinho Ítalo, levou a maior queda, mas não aconteceu nada e Shiley, em uma de suas quedas, travou o movimento das pernas e ficou deitada, com o esqui enorme impedindo que ela ficasse de pé. Ela não conseguiu mexer com nada, até que Italo desceu do seu esqui e foi ajudá-la a se levantar. Imaginem a cena... Mas, foi muito divertido. Tudo era festa!

                    



Escrito por Giovana Paiva às 07h45
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Eu só assiti. Não dava para esquiar, pois Rafael requeria muita atenção e eu tinha que estar com ele em outro lugar, onde as crianças desciam com uma pranchinha de plástico. Ele adorou!!!

 

  

 

De novo, vesti tudo que podia e tinha direito, com medo do tamanho do frio que iria sentir. Além disso, ainda levei uma bagagem numa mochila, que nem abri. Parecia que ia passar vários dias naquela estação.

  

Nós almoçamos no restaurante de Vall de Nuria e Rafael tirou muitas fotos (imaginárias) com sua máquina fotográfica (imaginária), Foi muito bom o passeio. Adoramos nossos companheiros de viagem e, ao final, ainda brincamos de guerra com bola de neve

Mas, enfim, as imagens dizem mais do que posso falar. E uma observação final, na neve não senti tanto frio como imaginei que sentiria.

 



Escrito por Giovana Paiva às 07h44
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UM DESCARREGO

Estou vivendo num vendaval, numa tormenta, numa tempestade. Confesso que ainda é estranho, mesmo estando nele há tanto tempo. Os sentimentos que me envolvem são diversos: orgulho, tristeza, coragem e também alegria. Momentâneas alegrias, mas sempre vividas com intensidade.

Nesse tempo, todas as pessoas com quem compartilhei minha vida foram importantes, sabedoras ou não do que estava acontecendo. A experiência de estar vivendo, de estar sobrevivendo e de estar construindo alguma perspectiva de me tornar alguém foi, para cada uma delas, percebida de um jeito. E o que as diferenciou foram suas maneiras de agir, falar, escutar, contribuir, ajudar e sofrer. Mas a tempestade maior e mais perigosa já passou e eu, de repente, me sinto com culpa ou em falta, como se não tivesse apresentado qualquer contrapartida a tudo o que fizeram. Mas, talvez, nem seja necessário. Talvez só uma explicação, que nem eu mesmo sei qual deva ser, se tiver. O que eu sei é que o caminho que escolhi foi o que se apresentou, do meu ponto de vista, como o mais consistente. E eu avalio, ainda, que escolhi o que era possível de escolher.

A neblina ainda enturva o meu horizonte, mas tenho a sensação de que o meu caminho está ficando mais claro. Continuo navegando ainda sem rumo, mas agora, eu seguro a carta que me guia e não estou mais querendo depositar essa responsabilidade para ninguém. Naturalmente, a minha inexperiênca de me guiar tem me feito passar pelos mesmos lugares muitas vezes, ou muitas vezes também tenho ziguezagueado sem obedecer aparentemente a qualquer curso. Mas, eu sei que essas diversas vezes que tenho passado pelo “mesmo” lugar, nunca tem sido mais a mesma coisa.

Mesmo que acredite que seja possível passar pelo mesmo lugar duas vezes, da mesma maneira, eu sei que nunca sou a mesma e nunca vou ao mesmo lugar.

Tenho vivido tendo a consciência de que estou permanentemente me construindo, acreditando em uma vida de paz e tranquilidade. Estou vivendo a vida tendo a consciência de que ela será sempre um eterno aprendizado.



Escrito por Giovana Paiva às 18h47
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A CIDADE DOS CACHORROS - Parte 1

Eu tenho alguns amigos (dos dois sexos) que criam cachorros como se fossem filhos. Eu acho engraçado. Com todos esses “filhos-cachorros” sempre consegui ter uma relação distante, mas respeitosa. Engraçado, também, são seus nomes: nome de índio, de cantora de cabaré francês, abreviação de nome de russa e outros. E, no passado, já existiu um "sheiky" (não se se escreve assim).

Sei não!!! Um dia, encontrei um desses amigos (sem especificar o sexo). A gente mal tinha colocado os assuntos em dia, quando a criatura me convidou para conhecer “filho(a)” (também sem sexo). Achei estranho, mas fui. Fazia algum tempo que a gente não se encontrava e eu pensei “deve ser o novo amor, um caso secreto ou algo assim”. Mas, o “filho(a)” não sintonizava com um ser humano normal. Chegamos numa casa, a criatura parou o carro e gritou: “fiiilhooo(aaa)”, e lá vem um PODDLE branco (não sei nem se escreve desse jeito), bem bonitinho(a). Fiquei logo cismada que esse “filho(a)” ia entrar no carro e dividir o banco da frente comigo. Pensado e concretizado! A criatura resolveu levar filho(a) para dar uma volta.

    Todos são parecidos com essa foto ao lado. Têm mais ou menos esse formato.

 Nesse tempo que estou em Barcelona, tenho observado que a cidade foi feita para cachorros. Algumas praças têm o espaço reservado para eles e o espaço reservado para as crianças (com brinquedos e, muitas vezes, menor do que o primeiro).

   

Em geral, são sinalizados com uma placa (um cachorrinho pintado), “cerquinha” de madeira baixa circundando a área, água, bancos e sombra. Na área das crianças, além da sinalização para elas, tem também proibindo a presença deles. Para mim, isso pode significar que ao cachorro está disponível todo o resto da praça (???).

  Todos os dias pela manhã, quando vou deixar Rafael na escola, sempre passo por uma dessas praça e lá ficam um monte de pai e mãe de cachorro observando seus filhotes a brincar. Um detalhe, eles estão, geralmente, muito bem arrumados, como se estivessem prontos para sair para o trabalho ou algo assim. Parecem que estão ali cumprindo uma obrigação (inclusive, alguns pais são bem interessantes...).

   



Escrito por Giovana Paiva às 13h29
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São cachorros de todos os tamanhos, mordendo um ao outro, babando, sujando o pelo. O mais estranho é que os pais e mães de cachorros, diferentemente dos filhotes, não se aproximam um do outro. Ficam postados em lugares diferentes, eqüidistantes dentro do cercado, fumando ou com aqueles aparelhinhos de som no ouvido. Alguns levam o lanche para os filhotes ou um brinquedinho para jogar e o cachorro sair correndo atrás.

Há! E eles têm à mão, em geral, a coleira dos filhos pendurada.

Nos passeios, nas diversas ramblas e em todas as calçadas que eu já conheci, a cena se repete. Só que nesses lugares, os cachorrinhos e cachorrões andam com a coleira, que estica e depois recolhe, se afastam e depois se aproximam de seus donos.

   

    

Não tirei uma foto de todas as situações observadas ou diretamente dos pais de cachorros porque eles são muito sérios e eu tive medo.

Então, volto a lembrar dos meus amigos e de seus cachorrinhos. Eles iam se dar bem por aqui. Seus cachorrinhos iriam ter muitos amiguinhos para brincar e eles muita regra para quebrar.



Escrito por Giovana Paiva às 13h20
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CONTROLE E PLANEJAMENTO DA CIDADE

Alguém pode ter se indagado: "como é que o Prefeito da Cidade de Barcelona sabia que Rafael estava morando lá"? Na verdade, aqui eles têm controle de tudo. Quando a gente chega para ficar qualquer tempo na cidade e quer usufruir os direitos ou chega legalmente, a primeira providência é procurar um distrito da Prefeitura para fazer "Padró Municipal d'Habitants", que é conhecido como EMPADRONAMIENTO. Nesse registro, a gente comunica o lugar onde a gente está morando, quem somos, número do passaporte, de onde viemos e quanto tempo vamos ficar.

Esse controle é interessante e necessário para o planejamento dos serviços públicos, como o sistema de água, esgoto, transporte, escolar e saúde, entre outros. Com isso, eles podem dimensionar, adaptar e controlar a demanda e o uso. Tudo é muito bem planejado por causa do controle que existe. 

Depois, temos que encaminhar a solicitação da Carteira de Identidade Espanhola. Por isso e eu e Rafael temos uma Carteira de Extrangeiros Estudantes na Espanha com um número que nos identifica. Não precisamos do passaporte para andar com tranquilidade em toda a Espanha.

A escola e serviço de saúde para Rafael teve um processo interessante. Inicialmente, tive que ir à Secretaria de Educação, com o EMPADRONAMENTO, para informar onde estou morando e solicitar uma vaga numa escola pública do município. Em função disso, eles determinam quais as escolas que Rafael poderia estudar. A escolha teve a ver com a proximidade do local de moradia. Me deram três escolas para escolher. Fui até elas e escolhi a que me pareceu mais interessante e, hoje vejo, que fiz uma boa escolha.

Também com o EMPADRONAMENTO, procurei o posto de saúde mais próximo para nos registrar e lá eles me encaminharam para um médico pediátra, que tornou-se o médico de Rafael em Barcelona. Quando ligo para marcar alguma consulta, a telefonista pergunta o nome do meu filho e o seu médico. Depois desse registro na saúde, recebi pelos correios uma carteira de vacinas para que o médico acompanhasse e tomasse as providências. A consulta com o pedriatra foi ótima, senti uma confiança no médico, Dr. Soriano, que foi muito agradável e, sempre que preciso, mostra-se muito atencioso.

Na primeira consulta pedi a ele um documento para que eu pudesse levar para a escola, que estava exigindo que Rafael tivesse um médico para acompanhá-lo. Ele me explicou que ao fazer o registro da consulta no computador, a escola seria informada automaticamente via rede computadores da prefeitura. Depois de alguns dias, a escola ficou exigindo que eu vacinasse Rafael, que desde que chegara a Espanha ainda não tinha sido vacinado.

Além disso, tinha uma assistente social do posto de saúde que ficava ligando para a minha casa, insistentemente, me chamando para vacinar e eu sempre adiando. Marquei consulta com Dr. Soriano e conversei novamente com ele sobre o fato de Rafael fazer homeopatia no Brasil e que eu já tinha feito todas as vacinas necessárias. Eu não queria vaciná-lo contra um monte de doença que não precisava.

Mas, ele disse que o sistema de saúde não permitiria que ele ficasse na Espanha com um mínimo de proteção. Ao final, acordamos que eles aplicariam a tríplice e fariam um teste para verificar se ele não estava com o bacilo da tuberculose. E assim o fizemos (abaixo o consultório do Dr. Soriano no Posto de Atendimento do bairro - a consulta é com hora marcada e pontual).

   

Na próxima consulta, vou tirar uma foto do Dr. Soriano para que todos vejam como ele é lindo.



Escrito por Giovana Paiva às 13h06
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MINHA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO

Vocês não imaginam como dói fazer isso o que estou fazendo... Falar do que estou sentindo nesse momento, dos conflitos, do que está se bulindo dentro de mim, do que está querendo sair. Está sendo um grande desafio. Não tenho o dom ou a capacidade de transformar o que sinto em poesia, como o Imperador sabe fazer tão bem. Imagino que deva revolucionar qualquer sentimento. Para mim, será sempre uma exposição, para a qual tenho feito vários ensaios, sem nunca ter coragem de entrar no palco. Agora eu quero ir, quero subir e quero me apresentar.

Enfim, estou aqui sentindo coisas, divagando, remoendo. Penso no caminho a ser seguido e acredito que este deva ser o de buscar a felicidade, mesmo sem crer que poderá alcançá-la inteiramente. Buscar nas pequenas coisas a satisfação de viver. Não tem sido fácil estar no mundo, pois não é fácil viver. Não está sendo fácil domar sentimentos tão diferentes, assim como encontrar o prazer de viver. E a gente tem que viver porque a vida é bela. Temos tanta coisa pra fazer, tantos prazeres, tantas coisas para aprender, tantas pessoas a quem devemos nos doar, dar e receber. A cada dia vivemos evoluções, nos transformamos, mas também involuções e voltamos a ser o que éramos, sem nunca mais conseguir ser. A cada dia nos surpreendemos querendo sentir o que não queríamos mais sentir e com tudo isso, admitir que no dia seguinte, a luz do dia iluminará sempre outra pessoa.  E é por isso que eu quero crer que é muito bom viver...



Escrito por Giovana Paiva às 19h11
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