EGITO

AS PIRÂMIDES DO EGITO
Para mim, essa ainda é uma imagem dos livros de história que estudei no colégio. Ainda não consegui assimilá-la como tendo sido uma realidade diante de mim. Consegui, no entanto, captar na fotografia a minha insignificância diante da Pirâmide de Keops. Foi exatamente isso o que senti: o quão sou insignificante.

Queria fotografar os detalhes: a perfeição do ângulo de 45 graus e as dimensões de cada pedra. Como eles conseguiram transportar e colocar pedra sobre pedra? É impressionante a perfeição de tudo. O que utilizaram? Só a força humana? Se sim, podemos imaginar que podemos muito mais e nos limitamos com o avanço da técnica.


Chegamos cedo à área das Pirâmides porque tínhamos que garantir os bilhetes para entrar naquele dia. Parece que existe uma entrada limitada a cada dia. Enfrentamos uma pequena fila e, à entrada da pirâmide, tivemos que deixar os equipamentos fotográficos. Depois, começamos a subir por uma rampa de madeira, com pedaços de madeiras fixadas, o que facilitava a firmeza de nossos passos. Subimos e subimos... Nossos corpos tinham que ficar inclinados porque o túnel era baixo. Rafael embalou na subida e eu tive que seguí-lo. Não sabia o que encontraríamos lá no alto.
As pessoas paravam para descansar um pouco. Mas, eu e Rafael subimos rapidamente. Lá em cima, as salas das oferendas e dos tesouros antecediam a sala onde ficava o sarcófago do Faraó. Não existe mais nada. Todos os ambientes estão vazios, cinzentos, escuros e úmidos. Todos os ambiente tem forma quase quadrada e o teto acompanha a inclinação externa da pirâmide.


Não sou religiosa, mas permito-me acreditar que aquele lugar é sagrado ou mágico. Que está cheio de energias. Senti uma sensação muito boa. Parar um instante, olhar e nada mais. Talvez seja a crença advinda na esperança que quero ter nos homens, ou na história ou, mesmo, em mim.
Depois de tudo, o descanso e o instante de deglutir o que vimos e arrumar as emoções que sentimos. No dia seguinte, sentia no meu corpo, principalmente nas pernas, a dor do esforço físico que fizera.

Escrito por Giovana Paiva às 10h28
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PENSANDO ALTO
ESCOLHAS (2001 – Reescrito em 2006)
Estou sozinha para pensar. Mas será que é tão necessário compartilhar pensamentos com outros? Não sei. Mas, tenho meus amparos para me ajudar na construção que tenho empreendido.
Por exemplo, uma intrigante descoberta: existe uma distância entre o que se pratica e o que se fala. Óbvio???!!!
Mas, eu pensava o contrário. Eu pensava que, em geral, as pessoas faziam o que falavam.
Será que sempre foi assim e eu nunca percebi? Não falar de si mesmo, não ter disponibilidade para rever o que pensa, não ter coragem de mudar? Viver sob o julgo de verdades absolutas e inquestionáveis?
Uma coisa é querer falar, se esforçar para isso; outra coisa é não conseguir falar o que sente.
O que isso significa?
Na verdade, palavras não foram feitas para dizer tudo e nem para clarear o obscuro. Elas sempre deixam faltando alguma coisa para ser dita e, às vezes, complicam o que se queria dizer.
Omitir o feito e o sentido com palavras nem sempre é uma atitude intencional ou consciente. Acho que pode ser uma resposta inconsciente ou mesmo uma maneira de sobreviver às próprias dificuldades. Isso se considerarmos que algumas pessoas não conseguem ser e fazer diferente do que sempre fizeram.
Por isso, as pessoas precisam ser melhor compreendidas.
Tenho exercitado muito o meu direito de falar e tenho me esforçado para dizer o que sinto para mim e para as pessoas que gosto. Tenho conseguido alguns avanços, mas são muito pequenos.
É muito difícil expressar-se, natural e espontaneamente. Deixar-se agir com emotividade e afetividade, mostrar-se frágil e de forma escancarada e sem dissimulações. É muito difícil agir, mesmo ingenuamente, com a convicção de que as escolhas estão sob sua responsabilidade.
Mas, é incrível como é bom ouvir e sentir as respostas e as conseqüências dessa decisão.
É incrível como me sinto mais eu e mais leve...
Escrito por Giovana Paiva às 06h39
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EGITO
EDIFICIOS FAMILIARES
A religião mulçumana é a primeira no país. Imagino que 90% da população do Egito seja mulçulmana. Lá, eles costumam dar uma parte do que ganham para quem precisa e, segundo o nosso guia, eles não conhecem a pobreza e a insegurança urbana porque não existe pobres e muito menos necessidade de roubar. Aliás, se alguém roubar pode ser "castigado". As primeiras pessoas que um mulçumano deve ajudar são seus parentes e as pessoas mais próximas de sua vida cotidiana. Se não tiver ninguém próximo necessitando de ajuda, deve procurar uma instituição e fazer a entrega do dinheiro que não é seu. Por isso, ninguém passa necessidades e todos tem o que comer, vestir e onde viver.
Contraditoriamente vimos a Cidade dos Mortos, uma adolescente com uma criança recém-nascida numa rua como se estivesse pedindo esmolas, a cidade de Assuan que pareceu toda muito pobre e muita periferia na imensa cidade do Cairo. Aparentemente, situações muito parecidas com o nosso subdesenvolvimento. Mas, enfim, não vimos nada de muito perto e nem conseguimos saber de nada além do que o nosso guia nos disse.
Toda essa introdução, na verdade, era para falar dos EDIFÍCIOS FAMILIARES. Percebemos que existiam muitos edifícios inacabados, como se toda a periferia das cidades, por onde passamos, estivesse em construção.
A razão é que um edifício nunca é acabado porque os pais mulçumanos tem obrigação de cuidar dos filhos até o casamento. Até casarem, eles moram com os pais e não importa se estão trabalhando ou não. Quando estão se preparando para casar, os pais precisam ajudá-los a construir sua casa (se for homem) ou mesmo construir uma casa para que seja dada como parte do dote do casamento (se for mulher). A solução adotada tem sido construir sobre suas próprias casas. As casas são construídas, desde o início, para suportar o número de andares equivalente ao número de filhos que a família possua. Fiquei pensando: quem calcula isso? Como podem dimensionar as fundações de todos aqueles edifícios para suportar a carga de tantos andares? Perguntas sem respostas...


As quatro primeiras fotos são da periferia da Cidade do Cairo, com os seus quase 20 milhões de habitantes e a de baixo é de Assuan, pequena cidade ao sul do Egito.

Escrito por Giovana Paiva às 04h50
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